É tempo de mãe e tempo!

É um tempo em que amarrados

Os sentimentos em laços

As mães não vendo enterrados

Seus filhos longe dos braços.

É um tempo de sol ardenteChuva fria, ar impuro, contaminado

Onde um é um ausente

Vive silente, só, por si mesmo dominado

É um tempo em que se repensa

Que se traga o gole amargo

Do nada que há na despensa

Ou apenas um pão avinagrado.

Pelas mães que deram ‘um dia’

Dias sempre são das mães

Daquelas, que por alguma alegria

Estão entre nós, guardiãs

Por todos que em tempo desses tempos

Vivem em outras dimensões

A carregar em traços limpos

O amor em seus corações.

É um tempo em que já se foram

Milhares de filhos, tutores

Mulheres, homens, que honram

O renascer dos amores.

Espero com fé que o Alto transpire

Um suor que cure em cascata

A humanidade que aspire

Em nova era sensata

Em nova vida pacata

Pelas mães que foram e são

Uma eterna serenata!

Alguns…

Saint!
Sont!
Je vois tout …Je vois la mer …Je vois la douleur que vous autorisez .Cet endroit était la foi de notre amour ? Mon saint !

trupe
Conjuntura rasa
plena luz opaca
impedimento crônico de uma fenda no buraco fundo
maçante reboliço nas laterais eucéfalas
revolução laica
e parto para dentro
útero que aquece
e nada expele
viro pedra lá
e a roda gira
parada na imensidão
manso
alterado
praguejo pela trupe
e mordo a pele
e mato o grupo
e vivo solto
encarcerado nas manobras desatinadas
conversas convexas
plurais
antigos
atuais
fato!

inspiraçando 
Instalou-se a tardia inspiração.
lança-me a tarefa de restituir,
interferir, manobrar, conjugar verbos anacrônicos
para dialogar com o feito em mim…em saber daquilo esquecido,mas farpado e denso em sendo a imagem auto definida deste…Depressa demais não resume o existir de nada, mesmo para os que morrem antes de vagir.O itinerário inconcebível nesta hora, seria assustador pudesse relembrado ser..Constituído do todo, pude vir até aqui e menos do suposto: sou um pequeno rebento na coisa inteira,entretanto soberano na ignorante importância de justificar o que não é finito,e estranhamento certo de ir para sempre voltar.


DEVOTO

Nada é comparado com o teu sonoro riso
É tamanha inanidade aquilatada por mim
Trivial morrediço e plácida animação por fim
‘Té me assistem o poviléu no corredor-passadiço.Tudo corrompe o lampiar desse futuro
Amplo, titubeio dentre as alamedas nuas
Aspirando ter em palmo as exatidões tuas
A ver se de mentiras da adoração me curo…Arranco espinhos para o tronco espetar
Furto um carro, assalto uma conveniência
Levo-me em ti na doidura da concupiscência
tens-me em algemas e faz-me delirar

E és, tão somente um óleo moldura no museu
Volvo dia a dia a quitar ingressos, alcançá-lo
A ver-te na crença de furar o quadro e saltá-lo
E voejarmos aves em tuas vestes, tu e eu

!

5 . EPÍLOGO DA OPRESSORA (Ator se transformando em Constantina)

Agora, atendendo a inúmeros pedidos deixarei uma música tocando enquanto realizo uma pequena transformação pessoal; apenas porque devo atender os pedidos de meus fãs ardorosos. Não vou sair de cena, para que não pensem que houve troca de ator ou fui à busca de algum truque desses utilizados por amadores mesquinhos que buscam somente a realização pessoal numa vaidade incrível de artimanhas pouco ortodoxas. Na verdade, nem sei são capazes de entender o que estou tentando dizer, mas de qualquer maneira isso só vale a pena ser compreendido se todos os envolvidos alcançaram o raciocínio do nosso humilde espetáculo… (Ao músico) Toque! (Ao público) não demoro muito pra trocar de roupa e fazer a maquiagem, não se preocupem. O figurinista optou por esse tecido estampando elucubrando que ISTO explicaria simbolicamente a alma, a composição da personagem em questão. Eu, achando que poderia auxiliar, dei uns palpites do tipo: e se a gente optasse por não vestir e ficássemos com a verdade interior? Soou como uma bomba. O referido figurinista berrou, chorou, teve um ataque de dança do ventre misturado com sapateado espanhol. O diretor, meu amigo e confidente, botou panos quentes e eu, enfim, obedeci às exigências. Na verdade era só uma idéia para ser discutida, acabou sendo imposta. Já me habituei, nesta cena final, a vestir a personagem, literalmente. O que estão vendo aqui, nascendo a olhos nus, era inicialmente Conchetta. Ficamos sabendo que Conchettas havia aos montes por aí; na TV nem se fala, era quase uma invasão e para nós, sem fama e glória restaria a critica de plagiadores. Então, Conchetta virou Constantina. (Já quase pronto) O opressor também pode estar presente nas mães, nessas mães aí comuns, do dia a dia, que julgam fazer um ótimo trabalho com a educação de seus filhos. As mais econômicas são as turcas narigudas, as inglesas castradoras, as russas medrosas, as francesas permissivas, as alemãs loiras, as brasileiras mixagenadas, as africanas descalças, as portuguesas de Portugal, enfim, quase todas as mães são objeto de estudos intensos por psicólogos e psiquiatras e sociólogos e geólogos de todo mundo. Mas eu conheço uma que de tão doce e crente no melhor pra seus filhos, é a mais castradora de todas as mães, ou pelo menos, foi. Ela é o que podemos chamar de virtuosa. Italiana, radicada no Brasil, onde se enraízam toda espécie de fauna e flora humana da terra. (Ao músico) Ok, pode parar de tocar agora e dê o tom para Constantina. (Mutação) Má que? Que que tá pensando você? Que io nasci assim gordona, sardável? Vá, vá… são tudo tan tan, isso que oces são… Fiquei desse tamanho por causa da minha história cheia de pobrema e poca felicidade, isso que é. Má que é de gosto regalo da vida, né memo? Eu sou uma patsa, energumena … e to falando dos meus fio. Cada um tomo seu rumo e me dexo aqui prantada como uma bananera que já deu cacho. Eu me criei os menino com as pasta de melho qualidade. E os fia da puta fora ficando grande, arranjando suas cosa pra faze e me deram um pe na bunda, foi o que fizero. O mais vechio, O Fernandinho me arranjo um traste de uma cadelona e me foi embora pra nem sei donde. Queria se vê livre da mama, ele disse, na minha cara, eu to de picuá cheio da senhora, mama, a senhora só que mandá, mandá… Io? Uma mama simplória, amável, uma santa… que deu o sangue pra cada um deles e recebi em troca um bom adio, bella. Depois foi a vez do Geronimo, aquele ingrato, deu as descurpa de que ia estudá na Itália porque podia tirar recibo de cidadão por seu fio de italiana. Me usou, quelo ingrato, até na hora de me abandoná. Má que coisa, outro que não soube dá valor aos suor da minha testa. O terceiro, o Benedetto, se enfiou nesses troço de televisão, sabe esses menino que pega os cabo e fica correndo atrás de cá pra lá… (rindo) Uma vez vi a dona Ana Maria pegando o coitado do Benedetto segurando os cabo da firmadora, ela se ria como uma loca. Esse pelo meno as vez eu vejo pela televisão. Trabaia na Grobo, poverelo. Segurando os cabo. Má que vidinha medíocre eles me escoeiram. Depois de tanta massa e porpeta. E não foi por farta de educação, que io peguei nos pés deles, viu? Peguei memo. Fiz ir pra escola, arrumava eles tudo de camisinha branquinha, shortinho azule, má que lindos que eles era. O mio quarto fio, aquele sim, escolheu o melhor destino. (canta)
Ai, madona mia, que espeto o fim da vida
Ai, madona mia, me manda aqui, uma sanfona
Ai, madona mia, quero cantar toda minha tristeza
Ai, toca os baixo, faz uma baruio pra eu cantá
(fim da cancioneta)
Io cantava anssim pro Luige, meu pequeno Luige… ele sorria com aquela cara de monstro. Ele nasceu anssim, poverelo, de tanto que o pai dele me encheu de porrada quando ele tava aqui na minha barriga. Antonello bebia um vinho que Dio me livre, nossa senhora, madona. Bebia feito em condenado. E me batia. Assim do nada. Me batia. E eu, gravidona do rapazinho. Eu ficava de noite, gemendo nos cantos e rezava pra ele: fio meu do meu coração, não liga pra tio padre, non. Ele no fundo é um homem bono. E ficava firme, ali, nos canto, até amanhecer e chegar a hora de passar o café pro vechio ir pro trabaio. E quem disse que ele tomava café? Tomava era dois os três copo de vinho, logo de manhã, enchia a cara logo de manhã. Então eu dava uns safanão nos menino pra eles acordar. Vai seus molegão, hora de ir pra escola, Geronimo, acorda Benedetto, enfia as carça Fernandinho… e ai daquele que não me obedecia eu lascava o cinto, até criar uns vergão desse tamanho nas perna. Eco! Io nunca bati nas barriga ou nas costa, era só nas perna. Má eu dava com vontade, viu? Era cada vergão assim. Hoje io sei que eu descontava nos fio os tapa que eu levava do pai. Que dó que me tenho, uma paixão, Dio mio. As vez eu converso aqui cós meu botão: será que ele foro embora por causa das cintada? No sei, no sei de nada. Me lembro do dia que Luige nasceu, tão fraquinho, suzinho comigo aqui, eu baxei as carça, sentada no sofá e ele nasceu. Fiquei um dia intero sentada, escorrendo vida pelas minhas perna, sem corage pra levantar e cortar o cordão do menino. Parecia que io ia morrer se cortasse o cordão, io e o pequeno que precisava de sua mama. Era um bebezinho fraco, magrinho, non movia as mão, respirava com dificurdade… Antonello veio de tarde, caindo de bebido, olhou pra noi duo sentado no sofá e falou: vai arruma a minha janta, égua vechia. Nem viu o nostro fio no meu colo. A dona Olga veio cortar os cordão do menino… ele viveu ainda muitos ano comigo. Era só meu, o poverelo.
(canta) Ai, madona mia, que espeto o fim da vida
Ai, madona mia, me manda aqui, uma sanfona
Ai, madona mia, quero cantar toda minha tristeza
Ai, toca os baixo, faz uma baruio pra eu cantá
Um dia, Antonello pegou uma troxa de roupa e falou que ia morar com outra muié, mais carma, mais nova e que io me virasse como podia. Depois foram os fio embora. E por urtimo, me foi o Luige… numa noite, io tava amassando pão e ouvi: mama! Io me virei os oios pra drento da casa e depois olhei pra cima, pedindo que Dio continuasse carregando meu fio nos braço, e vortei pra massa. Vortei pra massa.
Será que non fui uma bona mama? Hum? Não devo ter sido, porque me deixaram suzinha, não é? Io me lembro da minha Itália, minha mama era caladona, o papa nunca me fez um carinho… quando viemo pro Brasir, io… Non, non quero me ficá lembrando. Vão embora, per favore, antes que io começo chorar. Non quero que ninguém tenha dó de mim. Io non mereço.

Ademir Esteves
Junho 2006

Obra: personas

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1 – obra: personas

2 – Pulgas Nuas (A.E/15)

Com quantos pulsos preciosos
gastei de soberbia para achar-me 
entre as marcas de cajal alérgico? 

São uns negócios que dá na gente,
qual seriado repetido bom de rever,
entretanto, preguiça de zapear…
Não foi normal estirar-me
e deixar as pulgas forrarem-me o corpo nu.
Preguiça de espantá-las…
Preguiça do mundo…

Agora já foi. Beberam em orgia meu sangue!
Esbanjei fôlego demais pela vida, vida alheia,
vida lamurienta, urgente, expedida, maratona…

Onde estava o ‘eu’?
Pulgas vacas vadias…

Sereno entardecer!

Pagar a próxima promessa:
alinhavar um longo pano tingido
a forrar o chão que piso.
Onde não piso mais, ficou aquilo
que se considerou maior que eu
maior que o mundo
maior que aquilo mesmo.
(Um jegue zurrou sobre o telhado).
Momento de dar risadas…

!

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Tranco as portas
orgulho-me de ter portas.
Cerro as janelas
fico bem em ter janelas.
Bato os vitros, a clarabóia, tampos as frestas
fui feliz quando projetei o jardim de inverno.
Amanhã, exatamente às 16 horas
lacrarão o esquife.
E entrarei através de tudo que fechei!

So-lu-ço!

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Pratico soluço terapia
Sabe, de soquinhos?
A vanguarda de 30, 40 anos atrás, foi tropicando,
degenerando e nos pequenos intervalos
momento em que esquecia dos espasmos respiratórios,
era pós moderna.
Não me dei mal com o novo, mas não desprezo
remanescentes.
Acho um saco as regras
abomino intolerância
e sigo regras
e sou intolerante.
Vez em quando, entre um irc e outro, o mediano me convence muito
e vez em quando o superior me cansa, me mata um tanto
de desentendimento – mesmo compreendendo perfeitamente.
Pensando bem minha última crise de soluço aconteceu três ou quatro anos atrás…
Comi arroz frio, engolido apressado e salgado por lágrimas…
Creio não me referir ao soluço propriamente dito.
Mas a terapia, sim. Sabe? de soquinhos…
Em verdade, em verdade, devo dizer que dopei-me hoje.
Digito agora com os dedos dos pés
e tive ideias para uns pares de poemas
aqui misturados alopaticamente
numa dose irremediável de homeopatia erótica.
Sabe? de coquinhos.
vou escrever uma peça em branco
interpretada por dois louquinhos e um guardanapo.
depois, que se foda o entendimento…
a boca suja o guarda irc napo irc limpa
e os irc dois lou irc quin… voltam pro começo
exercitando a soluço terapia dos maus modos
psicopatas da urbe moderna e completamente ultrapassada
entre burros, canoas e uma enorme vontade de vomitar
a morte dentro de um jarro iluminado por um designer luzern…
Honestidade pura é tacanhice verbal, de caráter nã…
e já era, fera, já foi…
você está fedendo e as putas usam Chanel número 9.
Lindas como as santas esculpidas por traças…
Peço aos corretamente perfeitos que alinhem
meus pensamentos, porque eu…
eu solucei de novo e avancei três casas.
Ao triunfo de Vênus, Agnolo… quase lá

Para não dizer que não falei…

Atravesso as paralelas
assim que a tempestade tenta esvair-se pelas bocas de lobos
e não estão tão retas mais
curvaram-se, trincaram, o barro lapidou a sarjeta em escultura
ainda avisto serpentinas
repentinas massas pendentes dos fios elétricos
meus sapatos afundam no lodo e pisa latas
as cadelas retiram um a um os filhotes da marquise para o sol
do escampado
amamentada enfeitada por carrapichos
(são os caprichos da festa pagã)!
Querido bloco – de anotações – mais tarde darei cor às suas linhas
e sabe lá se ouvirei as harpas ou os violoncelos
porque os bumbos ‘inda vibram…
A rua termina na passarela e posso identificar, mesmo sob o chapéu,
o homem da minha vida.
Agarro a esperança de um cuicar tristonho no peito
A cadela uiva ao reconhecer a morte de um filhote
Todos os sons, nessa silenciada montanha de cinzas
degustam o prazer da aproximação. Cada vez mais perto.
Estou atolado agora num buraco invisível – afundo!
Onde suas mãos? Quando me trarão para terra firme?
Descuido da atenção preciosa e a negra loira na janela
desafina Maysa:
“Manhã, tão bonita manhã…”
Sorrio. Rio. Feliz em pranto e canto.
Depois… Bem… Depois é só daqui a pouco.

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Para não dizer que não falei…

CLARO AMOR

Amo como se não mais houvesse manhãs sem luz
Amo tão grande e tão branco sem as manchas da tontura.
Perco-me nas cartas manuscritas e nos e-mails reconstruídos
numa gana de enviar tulipas
abrir frisantes à toda hora
e encharcar de bolhas sua pele me clamando o paladar
Amo quanto e sem resultados de somas
Somos um diálogo vasto em porções reticentes
Amo meu amor e amaria além
se não findasse o dia
e cantaria no estômago
pelas falanges
pelos intenso reluzente brilho dos meus olhos
As nuvens forma desenhos e escrevem sobre tudo!
Mas, amor, temos que andar na relva
saltar na cachoeira
pular de paraquedas
cair no abismo quase real..
Porque as manhãs existem.
E nossa festa é um pedido divino,
mas corrompe o amor dos outros.
Sairemos do casulo,,,,
e não somos borboletas
(certamente as teremos no coração)!

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